Slavia-Integrity and Victory


O Disiplin atualmente são uma autentica aberração na minha opinião.
Mas porque raio os menciono numa critica a Slavia, poderão perguntar alguns, bem porque Slavia mantiveram algumas fortes ligações com Disiplin, mas não só atualmente este projeto engloba tambem ex-pessoal de Enslaved ou Taake.
Mas se esses são aquilo que são agora, Slavia pega um pouco no legado inicial de Disiplin remexendo-se novamente dentro do lado mais misantropo e violento do BM mais visceral onde o passado se esfaqueia com uma sonoridade supostamente mais atual envolvendo o som num negro manto de "expressionismo" extremo.
São duas faixas, cada uma superior a 15 minutos (o que por si só já torna a coisa especial) e na minha opinião a forma como Slavia (agora sem o Vik de DHG) conseguem enquadrar as inumeras influencias que passam pelo lado cru do movimento, puxando por vezes as cordas e esticando-as para um certo universo vá lá Neo-Folk vs Dark Ambient ajudam a criar um ligeiro sufocamento sonoro no meio daquele espinhoso dilaceramento musical que acaba por se tornar bastante interessante.
Se na Part I (Integrity) as coisas funcionam numa prespectiva mais arrasadora por vezes demente e onde claramente a banda se sente mais á vontade a segunda metade (Victory) deste album atua como um reflexo mais pessoal e anti-qualquer coisa que restaura e devolve a frieza humanista adensando a tensão entre o lado musical com o lado pessoal do ouvinte.
Os samples usados acabam por funcionar bastante bem, a intro onde se usam cantigos islamicos é um bom exemplo disso, apenas acaba por pecar num sentido, o não terem sido usadas na totalidade as linhas exploradas na primeira faixa, porque essa é de facto muito boa, extrema e totalmente fodida...digo isto talvez porque note aqui ligeiras influencias de Zyklon-B ao longo tema.
Resumindo eu continuo a gostar imenso do Strength and Vision e este embora interessante não se consegue fazer grande estrago, mas se gostam de BM minimamente aceitavel e daquele mais extremo e cru sem que seja do tipo LLN, Slavia é uma boa proposta, deixo aqui a primeira parte da coisa.

Heliotropes-Ribbons


Para acalmar um pouco as coisas mostradas nos ultimos tempos, seguem-se agora Heliotropes, uma jovem vinda de Brooklyn formada por quatro meninas que no seu primeiro 7´mostram uma sonoridade bem gira.
De envolvencia inspirada no lado mais psicadelico do Stoner/Rock e correndo por caminhos que se aproximam por vezes de universos Indie este ep de duas faixas acaba por ser bastante interessante, não é nada de mais, é verdade mas por aqui tem soado uma autentica delicia sonora.
http://www.megaupload.com/?d=7A2Q5HR9
Deixo aqui o bandcamp: http://heliotropes.bandcamp.com/

Disma-Towards The Megalith


Falar de vocalistas de DM e não mencionar o Craig Pillard é pura heresia na minha opinião.
A voz profunda por detrás dos mais marcantes albuns de Incantation e uma das maiores influencias dentro do lado mais cavernoso do estilo que atualmente vai abrindo cada vez mais brechas regressa aqui em grande com o primeiro longa duração de Disma.
Com um line-up formado por musicos e ex musicos de Funebrarum, Methadrone e Incantation os norte americanos Disma juntam-se assim ao lote das boas bandas atuais de um estilo que mesmo continuando a rebuscar o passado conseguem atingir os seus objetivos.
E esses objetivos aqui nada mais são do que perpetuar o velho Death-Metal e sepulta-lo numa campa totalmente Doom fundido o peso com um demoniaco groove tudo misturado numa paleta de tonalidades obscuras..
Se profundeza vocal do Pillard impoe respeito os restantes musicos não fazem figura de corpo presente e dão-lhe o toque nublado que vai adensando a aura do album enterrando-o e tornando-o num campo espinhoso de lentidão que nos vai afundando e puxando lentamente para dentro dos seispalmosdeterra..
Se algumas das boas bandas atuais exploram o lado mais, digamos liturgico, filosofico ou aspetos mais tecnicos, Disma optam pela literatura mais tenebrosa e exploram mundos imaginarios inspirados por alguns escritores como Lovecraft e deixam os tais fantasmas mais ancestrais do estilo sobrevoar este Towards The Megalith.
Como deu para ver não tem o extremismo surreal de um Parasignosis ou Swarth, nem muito abusa da morbidez demoniaca de um 7 Chalices, mas no entanto consegue ombrear quase lado a lado com eles na forma como a banda explana aqui a componente mais envolvente da musica.
Imaginem que estão a ler ou a ver uma boa historia de terror que vos vai deixando pregados e em suspense para observar o que se vai seguir, é mais ou menos desta forma que o album vai atuando á medida que nos entranhamos nele..
Riffs monoliticos, descargas venenosas de enxofre e uma aura assustadora que junta morbidez com algo que vai além de fantasmagorico é aquilo que estes seres nos oferecem...ou por outras palavras a banda sonora para um funeral lento e ritualista nos quintos dos infernos!!
Enquanto o revivalismo do DM passar por albums assim eu continuo a curvar-me...mesmo sendo temas já mostrados em material antigo.
Obrigatorio!
Já agora destaque tambem para o excelente artwork do album criado pelo Ola Larsson, um dos meus preferidos deste ano.
Fica aqui a faixa titulo e um dos melhores momentos do album:

Avichi-The Devil´s Fractal


Falei aqui á pouco tempo do novo album de Craft, pois bem segue-se agora outro dos meus albuns preferidos até agora deste ano dentro do espectro BM.
Falo claro do segundo album dos americanos Avichi, banda formada pelo Aamonael (Andrew Markuszewski), vocalista de Lord Mantis (grandes!) e que integra tambem a formação atual dos vanguardistas do movimento USBM Nachtmystium.
Avichi é um projeto a solo do musico em questão, já que é dele toda a parte musical que aqui se ouve e mesmo não sendo algo que trará mais luz ao estilo, o material exposto tem realmente bastante qualidade na minha opinião.
È material que segue a linhagem explorada nos ultimos anos pelo USBM, não deixando no entanto de fora alguns nomes europeus, principalmente quando o album segue um lado digamos mais oculto e ortodoxo..aqui a entidade DsO assume-se como uma clara influência, não transformando no entanto o album numa copia chapada mas explorando e puxando até si apenas o lado mais envolvente da musica.
Desta forma ou melhor é com estas bases e influenciais que o Aamonael consegue mostrar um dos trabalhos mais poderosos que ouvi dentro do estilo nos ultimos tempos e a forma como consegue unir o lado mais cru e simples (por vezes) com o vanguardista tem aqui autenticas obras primas de musica extrema, a Kaivalya of the Black Magician seguida da I Am the Adversary, são um duas peças essenciais dentro do BM deste ano, só para nomear dois exemplos.
Existe o lado dissonante, que se dissolve no meio de riffs fortissimos (ouçam a parte final da faixa titulo II), existe bastante teatralidade vocal e a propria produção cavernal e meio analogica ajuda a dar ainda mais enfase e cores bem negras ao album. De escuta facil para quem está por dentro da seita, não perde no entanto a bases demoniacas ligadas ao estilo de forma alguma e este The Devil´s Fractal acaba por ser isso mesmo um desenho abstracto de contornos luciferianos que provoca uns jogos mentais bem interessantes e por vezes hipnoticos.
Basicamente é isto, para mim é mais um dos albuns que ninguem deve perder este ano dentro do Black-Metal e já agora se não conhecem aconselho tambem o anterior The Divine Tragedy, duas propostas que talvez sejam mesmo essenciais nos dias de hoje para qualquer adepto de USBM ou simplesmente de BM, é que Avichi é talvez um dos nomes mais interessantes do panorama atual extremo.
Essencial.