Medicamentos

Dementia 13-Tales For The Carnivorous
Morbid Angel-Blessed Are The Sick (digipak)
Sacramentum-Abyss of Time (2cd)
Down-Over The Under

Fuoco Fatuo - 33 Colpi Di Schizofrenia Astrale Nell'Abisso Nero (ep)


Nos ultimos tempos tendo andado um pouco á volta do movimento italiano, porque acho que tem vindo de lá algumas propostas bastantes interessantes e a juntar a mais esse lote deixo aqui um dos nomes que mais gostei de ouvir vindo de lá nas ultimas semanas: Fuoco Fatuo.
Aquilo que apresentam até agora nos splits e ep é nada mais que uma mescla de sonoridades que percorrem o Death/Doom/Sludge/Black com a adição de atmosferas sinistras a trazem a espaços o lado mais cinematográfico de alguns filmes do passado.
E se o nome da banda já é por si só bastante bizarro a propria sonoridade não lhe fica atrás já que a tal atmosfera sinistra que falei em cima parece que nasce de um estranho ritual funerario que invoca o lado sufocante e tradicional dos estilos acima citados, mas onde o carisma e a originalidade impera.
Ritmos lentos, hipnoticos e podridão é balanceada com descargas proximas do Black Metal, é a receita magica que o trio nos oferece, algo entre uns Saturnalia Temple e uns Winter só para terem ideia daquilo que aqui vão ouvir.
Este ep é de 2012 mas no entanto não deixa de ser uma proposta muitissimo interessante, pesadona e bizarra para ouvirem nos proximos tempos.
De salientar que um dos membros faz tambem parte dos extremos Into Darkness.. e podem descarregar este ep de borla.


Mother Abyss - Burden


Mother Abyss são uma jovem banda portuguesa de Viana do Castelo que mostra este ano o seu primeiro trabalho, um curtinho ep de nome Burden que me surpreendeu bastante, ainda mais nos dias de hoje onde a grande maioria das bandas nacionais ainda vive em tentativas frustadas de tentarem ser os proximos Lamb of God, coisa que felizmente não acontece por aqui e ainda bem.
Musicalmente a formula usada pelo jovem quarteto vive imenso das sonoridades geralmente associadas a bandas como Men Eater, Cult of Luna ou seja um Post-Sludge bem pesadão onde os riffs assumem papel preponderante e as estruturas dos temas vivem serpenteios que puxam ligeiramente para o Post-Rock de tendencia mais agressiva e arrastada.
O material apesar de soar por vezes a deja vú sonoro é bastante competente, cativante e se formos exigentes em demasia isto não fica nada atrás se comparado com muito daquilo que de melhor se faz atualmente dentro destas sonoridades e que nos chega muitas vezes com o "selo de next big thing", todos os meses/semanas/dias.
Além do mais outra coisa que ressalta á vista é que a banda parece ter ideias e competência para mostrar algo mais no futuro isto a julgar simplesmente pelos temas que aqui apresentam, sem duvida uma interessante proposta (apesar de curtinha) de Mother Abyss.

Fyrnask-Eldir Nótt


Nos ultimos anos o USBM veio dar uma especie de nova vitalidade ao BM e conseguiu transformar aquilo que anteriormente se chamava em Epic/Viking/Black Metal em algo com muito mais sentido e envolvencia ao contrario de outros nomes (alguns deles até responsaveis pelo surgimento do estilo) que ora optaram por outros caminhos ou simplesmente tornaram a sonoridade completamente idiota e supostamente para ser ouvida em climas divertidos onde a cerveja impera (algo que me irrita profundamente).
No entanto é delicioso saber e principalmente ouvir albuns que se demarcam desses aspetos não tão positivos e criam algo realmente que invoca o lado mais "paisagista dos montes e vales" e puxam até si uma imponente carga que impoe respeito e sobretudo porque se eleva perante nós de uma maneira assustadora.
O caso do segundo album do projeto alemão Fyrnask é um desses e aqui tudo é mostrado de uma forma majestosa, fria, por vezes ritualista que nos consegue mandar para sitios completamente isolados e magicos onde se misturam fragrâncias extremas do que de melhor foi feito nos ultimos anos para resultar num perfume onde a natureza se funde com a religiosidade pagã originando um dos mais sentidos albuns de musica extrema deste ano na minha opinião.
É verdade que é um album muitissimo extremo (ouçam a monumental "Saltrian" ) e onde a base do BM impera mas a forma como o musico responsavel pelo projeto consegue conjugar outras sonoridades com ligeiras invocações que percorrem estados geralmente associados a bandas onde a beleza "neo-classica-ambiental-drone" se assume como fio condutor é absolutamente brilhante, transformando este longo registo numa especie de viagem que mexe com os nossos sentidos e nos atira para sitios inimagináveis.
Este aspeto para mim é primordial neste tipo de registos, procura-se não só a escuta simples mas uma forma de escape á nossa realidade mundana, um pouco como aquilo que bandas como Darkspace, Paysage D´Hiver, The Angelic Process, Dead Can Dance, alguns nomes do Cascadian Black Metal me provocam etc, não que isto seja completamente igual ao que se ouve nessas bandas, embora se notem algumas influencias de certa forma aqui e ali, mas o efeito é semelhante e a musica deixa de ser algo que se escuta para se transformar quase num estranho estado mental que nos atira para outros dominios..e é aqui que continua a residir a beleza da musica extrema, digam o que disserem e neste aspeto Fyrnask consegue tocar nos pontos certos..
Um album épico, majestoso, extremo, viajante, gélido daqueles perfeitos para se ouvir nas frias noites de Outono que por ai vêm, é que isto acreditem é realmente tocante e acima de tudo perfeito!
Para terminar apenas queria acrescentar que seguramente com o album de Carpe Noctem talvez tenhamos aqui as duas maiores surpresas deste ano, pelo menos para mim.
Deixem-se levar: