Encoffination-Ritual Ascension Beyond Flesh


Sem qualquer duvida o album de estreia de Encoffination, foi o material mais denso, claustrofobico e mortificante que ouvi durante este ano.
Numa entrevista recente o vocalista Ghoat (que acumula funções noutras bandas como Father Befouled) definiu este registo como uma "conjunção de atmosferas que nos fazem sentir que estamos a morrer", apesar de parecer mais um cliché banal saido do movimento Death-Doom, o que o duo aqui nos oferece aproxima-se bastante a estado, já que o material aqui exposto parece saido de um estranho funeral de iniciações ritualisticas que buscam acima de tudo fazer com que o sangue pare, enquanto nos movemos lentamente ao ritmo de ecos funerarios saidos não se sabe bem de onde.
Inicialmente editado em tape e dividido em duas partes ou melhor duas negras invocações a envolvencia que o registo cria, consegue deixar-nos inicialmente imoveis mas depois divididos num estado que deambula pela catatonia como pela frieza dos temas.
Não sendo de escuta propriamente facil este "Ritual Ascension Beyond Flesh", trás até si ou melhor consegue invocar os monstros sagrados da genese do Doom dos anos 90 e desfigura-los num estranho ritual de proporções epicas e num sentido profundamente religioso.
Mencionado este aspeto acaba tambem por ser um dos pontos mais bem conseguidos por esta dupla ao longo da meia-hora que dura esta autentica procissão funeraria.
O som que parece saido de um labirinto de catacumbas, consegue até mesmo oferecer o venenoso eco que transmite a estranha ideia que a ás tantas a banda gravou isto num espaço tipo six feet under..
Com alguns samples adicionados ao longo das faixas onde o lado "penitencial e questional" vai provocando algumas navalhadas no som, cria um resultado que adensa ainda mais a atmosfera negra desta autentica obra-prima que certamente irá agradar a todos os fans do lado mais pessoal e fascinante da palavra Morte.
Fascínio, religiosidade envolvem-se com a palavra Morte, e isto num lado mais mental (ou psiquico) deixando de fora aquele tipico e banal destroçamento que ocorre muitas vezes no estilo, já que a abordagem que aqui se faz é algo que mais se aproxima a um estado de invocação perante a unica coisa que temos certa na puta da vida ao invés de a retratar como algo horroroso e intocavel.
Lembram-me a dadas alturas a forma como uma banda como Subvertio Deus aplicou e transformou o conceito do Black-Death e lhes conferiu uma tonalidade tão fascinante quando envolvente.
Um album absolutamente intocavel em todos os sentidos e a obra mais grandiosa de Death-Doom editada este ano.
Deitem-se e deixem-se morrer um pouco...
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